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Pornografia: um mal que deve ser combatido nas igrejas

Esse é o texto chave para tratarmos de um tema preocupante: a pornografia. Numa sociedade libertina como a nossa, há uma tendência de se naturalizar o conteúdo pornográfico. 

Todavia, a pornografia é uma prática hedionda e se entendermos a relação dela com o assassinato, talvez percebamos melhor o cerne da sua gravidade.


À primeira vista, pode parecer exagero relacionar a pornografia com o sexto mandamento, que fala sobre o homicídio. 

Porém, vemos no ensino de Jesus o aprofundamento deste mandamento e como ele pode ser quebrado interiormente (Mateus 5.22). 

Em suma: o sexto mandamento não fala apenas sobre assassinar uma pessoa. Ele vai mais além e requer a preservação e a valorização da vida humana. 

E as confissões de fé reformadas captam o sentido mais aprofundado do mandamento. Vejamos o exemplo do Catecismo Maior de Westminster em sua pergunta 136:

Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?

Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém (grifo nosso).

A pornografia pode se enquadrar muito bem no que o Catecismo chama de “paixões excessivas”, “uso imoderado de recreios” e “opressão”. A pornografia é o mau uso do eros (amor erótico). 

É a violação do que Deus instituiu para a sexualidade. O sexo foi algo criado por Deus para o deleite do casamento. Adão e Eva foram criados para formar uma família que daria origem a outras famílias. 

Por isso que o sexo feito apenas pelo prazer, sem levar em conta sua relação com a aliança matrimonial, desvirtua o princípio original da criação divina.

Também podemos quebrar o sexto mandamento quando, ao invés de nos ocuparmos, gastamos boa parte do nosso tempo com recreações. 

E na era digital em que vivemos, onde pessoas passam horas navegando na internet, a pornografia está a um clique de seus olhos.

O sexto mandamento é quebrado quando no lugar de nos ocuparmos, ficamos diante de uma tela, assistindo imagens bidimensionais de nudez ou sexo explícito fazendo disto um “passatempo” que nos torna improdutivos e nos reduz a expectadores (ou promotores) daquilo que afronta a santidade do próprio Deus.

E a pornografia é facilmente detectável como um instrumento de opressão, sobretudo por oprimir as mulheres. A dita liberdade sexual feminina, uma bandeira do feminismo, só fez reforçar a objetificação do corpo feminino. 

Os conteúdos de filmes pornográficos colocam a mulher em situações degradantes, sendo usadas de maneira agressiva e violentadas em sua dignidade. 

Não é preciso nem navegar na web, o recôndito sombrio da internet, para se deparar com as mais variadas degradações. 



Além disto, parte dos conteúdos são mercadorias de uma indústria do sexo, que é muito rentável. 

Pelo dinheiro, homens e mulheres filmam diversas cenas praticando o ato sexual causando ferimentos em suas partes íntimas.

Voltando para a concepção aprofundada que Jesus dá ao interpretar o sexto mandamento, vemos que ele condena a quem chama o próximo, isto é, outro ser humano, de racá (Mateus 5.22). 

Esta palavra de origem aramaica não apresenta um termo equivalente ao português, mas os comentaristas estão em acordo ao afirmarem que essa era uma expressão de desprezo e que trazia um indicativo de inutilidade, como se alguém não tivesse serventia por ser “uma cabeça oca”. 

Portanto, racá é um termo que desumaniza e por isso Jesus a utiliza para condenar quem faz uso dela para negar a humanidade do seu semelhante.

Na perspectiva da Escritura, ser humano é ser portador da imagem divina (Imago Dei) que lhe foi impressa no ato da criação (Gn 1.26). 

Essa imagem revela que somos, em analogia ao Criador, seres afetivos, racionais e volitivos. E o “não matarás” busca preservar tal imagem que se faz presente mesmo no homem pecador. Embora o pecado a tenha afetado, ele não a dissolveu.

Portanto, a pornografia mata a humanidade do outro na medida que o transforma em objeto, desprezando a sua dignidade e lhe tirando a feição. 

Atente para o fato de que o rosto, que corresponde a janela da alma (Pv 15.13), não é o foco da pornografia. 

Diante de um par de seios numa tela, você não consegue capturar a pessoa na sua totalidade e a desintegra de seu ser, que é a sua percepção como criatura física e espiritual portadora da Imago Dei

E ao transformar alguém em coisa, você também será coisificado. Logo, comete-se um assassinato da essência do outro e acaba-se cometendo, em seguida, um suicídio – pois a própria essência também sucumbiu.


Que o Senhor nos abençoe e nos faça enxergar que o potencial assassino da pornografia deve ser condenado veementemente pela Igreja, enquanto que a mesma anuncia a mensagem libertadora do Evangelho que redime a Imago Dei de quem está preso à prática da pornografia.

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